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céu cinza. - crônica

Acendo um cigarro e logo de cara dou uma tragada, sinto aquela fumaça passar pelos meus pulmões, pintando-os de preto, e em seguida, saindo pela boca. Mas que leveza a fumaça, tão majestosa, tão simples.
Olho pela janela, existe um céu nublado lá, esse céu grita de desespero, ele quer expulsar as nuvens cinzentas e deixar que o Sol, o poderoso Sol, brilhe com toda fúria e intensidade.
Começo a sentir algo estranho. Talvez eu fosse um céu nublado gritando com as nuvens para deixar meu Sol brilhar.
Oh, Céus! Meu cigarro está na metade e nem me dei conta. Mais uma tragada, uma longa tragada. Tão longa quanto os segundos que se arrastam.
Em minha frente encontra-se uma pasta cheia de papéis a serem lidos - não sinto interesse nem de saber do que se trata -, fica pra mais tarde.
Sinto cheiro de comida vindo de alguma casa vizinha. Reparo que em minha mesa encontram-se várias caixas de comida chinesa... todas vazias. Meu tempo é curto, não posso me preocupar em preparar algo, muito mais fácil discar e em quinze minutos ela está entregue. Ah, a quem quero enganar? A falta que uma comida caseira me faz é inexplicável. Oh, querida mamãe, só você mesmo, que delícia eram os seus temperos... Que saudade...
Meus lábios começaram a sentir o calor do filtro. Merda! Acabaram-se todos.
Vou até a cozinha e pego uma caneca de café, vejo que do lado da cafeteira encontram-se três cigarros. - Ah, mamãe, sorte a minha ter pego essa mania da senhora dos cigarros perto da cafeteira. - Risco um fósforo e acendo mais um, tomo um gole - ótimo café forte, com pouco açúcar.
Me debruço na janela e começo a pensar... "Mas que vida a minha... Sinto falta da emoção de quando era jovem" E sinto mesmo, era tudo novo, a todo momento, hoje em dia é tudo na base do replay, já não vejo tanta graça como antes... nem nas cores do pôr-do-sol. Ah, o pôr-do-sol! Como aquele momento me deixava feliz. Aquelas cores que borravam o céu de laranja, lilás, rosa e azul. Era tão lindo, tão mágico. Hoje vejo aqui, um céu cinzento.
Que falta me faz.
Que falta me faz aquelas tardes frias, com o céu azul, azul, e eu deitada em minha cama pensando nos problemas que eu achava que eram o fim do mundo. Como eu queria que meus problemas hoje em dia se baseassem em confusões amorosas e nada muito maior que isso. Bons tempos.
Hoje em dia é assim, como me encontro. Acendo um cigarro e o deixo lá, queimando no cinzeiro, me esqueço por completo dele, pensando em como minha vida era antigamente.
Ih, não! De novo me peguei pensando, e de novo... meu cigarro acabou. Acendo outro.
Só tenho mais um...

7 comentários:

  1. Blog lindo, como você *--------* seguindo aqui!!

    http://patuza.blogspot.com/

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  2. bLOG MASSA!

    Amei a crônica é meio cigarettes and alcohol, e Cigarretes in Hell de Oasis *-----*.

    Curte os termos q vc usou sobre o tempo.

    Muito bom mesmo!

    tou seguindo =).

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  3. Engraçado, a gente só sente falta das coisas depois que elas passam, depois que elas realmente estão muito longe para serem alcançadas.

    Achei um ótimo texto, e sou suspeita de falar, afinal, adoro textos descritivos como o seu. Consegui imaginar toda a cena.

    Já estava te seguindo, nem lembrava, li mais alguns posts depois deste e resolvi te colocar nos meus favoritos...Tudo bem?

    Beijos, Misunderstood.

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  4. Ah, obrigada, que fofa você *-*

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  5. ei, bem bacana seu blog, to seguindo aqui =))

    segue o meu? *-*

    www.foiporquerer.blogspot.com

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  6. Cinzento seu texto ... e meio Cancerígeno

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  7. só um pouco cancerígeno KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK eu ri!

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